Seguidores

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Exercícios


Agora vamos ao exercício prometido!  Com 1hora e dez minutos de atraso :(

Método: Péladan, ou Cruz, ou mandala de cinco cartas.

Tiragem: Há variações quanto ao método de tiragem das cartas, de uma forma geral. Há aqueles que preferem tirar, eles mesmos, as cartas após o consulente cortar o baralho. Outros após embaralharem, e o consulente cortar o baralho, colocam as cartas em leque e pedem que o consulente retire as cartas em número necessário ao jogo. Não há certo ou errado, melhor ou pior, há apenas a sua forma de fazer. Eu, particularmente, em presença do consulente, prefiro que ele/a retire as cartas, como uma forma de imprimir, no processo, sua energia. Dessa maneira, sua própria sabedoria (mesmo que inconsciente), a respeito do assunto, pode manifestar-se, além de dar oportunidade para que os guias do consulente se manifestem, se tal for o caso.
Qualquer que seja o método que você use, deverão ser retiradas 5 cartas, e colocadas como ensinado no post do dia 29 de agosto

Você poderá, ou não, colocar uma carta que represente o tema da questão,  no centro da cruz, juntamente com a quinta carta.

Vamos ver dois exemplos de jogos: com e sem carta temática, e discutir suas interpretações.


Exemplo 1:

Pergunta: Conseguirei fazer uma viagem ao exterior, no final do ano, como é meu desejo?


 Vejamos o que o jogo nos diz:

Carta temática: O Navio, que nos fala das viagens longas ou para lugares distantes.

Carta 1 - (Pró) O Ramalhete nos diz que a viagem, se realizada, trará alegrias e momentos que ficarão para sempre como memórias felizes.

Carta 2 - (contra) A carta 34, Os Peixes, fala de assuntos ligados à matéria, especialmente dinheiro e outros bens. Nessa posição, esse arcano indica que recursos materiais, para a realização da viagem, podem faltar.

Carta 3 - (sugere o caminho a seguir) A carta 22, mostra que é chegada a hora de pesar os prós e os contras de realizar essa viagem no final deste ano. Sugere que a pessoa será confrontada com a necessidade de fazer uma escolha, e pode estar sujeita a um período de indecisão e incertezas.

Carta 4- (o futuro próximo, o devir possível diante dos prós e contras) A carta da âncora, mostra que durante algum tempo essa viagem não será realizada. O navio ainda ficará ancorado...

Carta 5- ( O X do problema) - A Carta 02, O Trevo, na nossa tradição, nos fala de obstáculos que, embora resultem em atrasos, poderão ser contornados no devido tempo.

Resumo: A viagem sofrerá algum atraso e não se dará na data prevista, por decisão da própria pessoa, diante de obstáculos de ordem financeira. Não há no entanto corte ou impedimento para que ela se realize num momento oportuno. Quando a viagem for possível, trará grande alegria e será muito especial!

Exemplo 2:


Para a mesma pergunta, o que esse outro jogo nos diz? (aqui não usamos a carta temática)

A viagem sofrerá atrasos por questões financeiras mas irá se realizar, trazendo muitas alegrias. A raposa na posição 3, sugere que se agirmos com inteligência, para contornar os problemas financeiros, iremos realizar nossa vontade (Navio na casa 4)

Gostaram?

No próximo post falaremos do muito amado Arcano 18!






 Abraços carinhosos!



Queridos amigos,
Sei que estou um pouco atrasada com a correspondência e as postagens, mas isso por circunstâncias alheias a minha vontade, embora felizes circunstâncias!!!
Obrigada pelos e-mails e mensagens deixadas, eles são nossa alegria :)

Quanto às dúvidas sobre jogos, enviem por e-mail se quiserem privacidade na resposta, ou pelo blog, se suas perguntas puderem ser respondidas publicamente e usadas como exercício. Neste caso, não publicarei o nome da pessoa, mas sua mensagem original ainda poderá ser vista na seção de mensagens.

As marcações de consulta, como envolvem dados pessoais, devem ser feitas por e-mail.

O próximo post trará exercícios sobre o Método Péladan ;)

Aguardem ainda hoje, o post prometido!!!




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Um método eficaz!





O primeiro método que aprendi, e uso até hoje, tem o mérito de estabelecer, de antemão, a que se refere cada posição que as cartas podem assumir, e assim facilitar a leitura para aqueles que estão começando na arte, além de tornar bem objetiva a leitura para iniciantes e veteranos ;) 
Esse é um método que mostra diferentes aspectos de uma questão, além de ser um dos mais utilizados.
É conhecido como A Cruz, A Mandala de cinco cartas, ou como Método Péladan.

Esse método foi criado por Joséphin Péladan, para ser usado com os arcanos maiores do tarot tradicional, e teria sido passado verbalmente para Stanislas de Gaita (Mestre Rosacruz, assim como Péladan), que por sua vez o ensinou a seu discípulo Oswald Wirth, que o menciona em sua obra Le Tarot des imagiers du Moyen Age.

 


Este método, muito usado também para a leitura do Lenormand, nos chega com algumas variações, que veremos a seguir.



- Como fazer:
Formulamos claramente a questão que queremos analisar e sobre ela nos concentramos. São retiradas, então, cinco cartas (após embaralhar e cortar) que serão dispostas conforme o esquema:





Carta 1 Pró - Aquilo que é favorável ao tema, à questão, ao fato, ou à pessoa.
Carta 2 - Contra - Aquilo que irá prejudicar o desenvolvimento da questão da qual tratamos. O inimigo, o que devemos evitar.
Carta 3 - Juízo - Sugere o caminho a seguir, ou se refere à uma intervenção externa, sobre o assunto, que será importante.
Carta 4 - Sentença - O devir provável de uma situação, levando-se em conta, os prós e contras e sobretudo "o cerne" da questão, que é dado pela carta 5.
Carta 5 - Síntese, o X da questão, o consulente em relação à questão, a essência à qual tudo se relaciona. 

- Há quem o utilize (método Cruz), sem marcar as posições, fazendo uma leitura livre.
Na leitura livre estamos colocando, além do nosso conhecimento teórico, uma grande dose de intuição, já que não temos casas pré determinadas para nossa orientação. Se, por um lado, o método livre exige mais de nós, por outro, costuma nos dar leituras de grande insight, podendo inclusive falar de aspectos novos, e surpreendentes, da questão, já que a leitura não está "presa" a aspectos pré determinados. 
Eu, particularmente prefiro, para uma leitura livre, usar as cinco cartas dispostas lado a lado, deixando a mandala em Cruz, para o método de casas marcadas. 

- Algumas pessoas somam o número que representa cada um dos quatro arcanos já posicionados. Se a soma for maior que 36, deveremos somar os algarismos que compõe o número encontrado. O resultado revelará qual será a 5° carta. Eu, particularmente não tenho experiência com esta forma de jogar, e costumo tirar a quinta carta da mesma maneira como as outras foram tiradas.

- Outra variação interessante é colocar-se uma carta no centro, representando a questão/tema, ou a pessoa envolvida com a questão que queremos analisar. Teremos então, no centro, duas cartas: a escolhida por nós (carta tema, ou representativa de alguém) e a quinta carta tirada do deck.
Tenho excelentes resultados com essa variante.




- Uma coisa que devemos lembrar:  jogos onde casas são marcadas previamente, precisam de ser treinados até que o "acordo" entre você e seu baralho, seja firmado e confirmado. Isto é: Até que você perceba que aquele método específico funciona para você, e que as casas pré marcadas têm a força necessária para atrair a carta que melhor as represente.

No próximo Post, colocarei um jogo, como exercício, para trocarmos ideias sobre sua interpretação :)

Abraços carinhosos!

Deixem seus recados, perguntas e contribuições :)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

carta 17 - A cegonha

Nem seria necessário dizer como, no nosso imaginário, a cegonha acabou por se tornar uma simpaticíssima entregadora de algo totalmente novo, muito singular e que, quase sempre, vem trazer uma dose de alegria, promessas, entusiasmo e sonhos!
Difícil pensar em cegonhas e não pensar em bebês, que nada mais são do que uma explosão de vida que se inicia!
E quando não são desejadas, cegonhas e sua carga? Ainda assim, a novidade que ela traz, estabelecerá o início de um novo tempo. A cegonha passa, faz sua entrega e, nada será como antes!
E por que pensamos em cegonha como a entregadora de novidades? Aliás, da maior novidade possível: uma nova vida?
Pensando sobre isso encontrei na internet algumas coisas a respeito dessas simpaticíssimas aves, a saber:

- Antígona (não a personagem ligada à Édipo) mas a irmã do rei Príamo de Tróia, teve seus cabelos transformados em serpentes pela deusa Hera, após ver como Antígona se gabava de seus capilares adornos :)
Segundo Ovídeo, os deuses apiedando-se da sorte (má sorte) da pobre, transformaram-na em cegonha! Pois é! Por que? Para que? Eu, particularmente, não sei, mas imagino que, no mínimo essas aves deviam ser vistas com admiração e simpatia desde esse tempo... Senão não teríamos uma forma de consolo para a Antígona, pobrezinha, mas sim castigo sobre castigo rsrsrsr

- Diz uma lenda que havia uma ninfa muito amiga de uma deusa menor. Aconteceu, no entanto,  que tendo se casado com um mortal, a deusa foi expulsa do Olimpo, amaldiçoada e tornada estéril! A ninfa sabendo que a deusa desejava, mais do que tudo, ser mãe, resolveu por conta própria procurar uma criança que pudessse ser criada pela amiga. Procura e procura, a ninfa acaba encontrando um bebê abandonado numa cestinha que flutuava na águas de um rio.
Desnecessário dizer que, Zeus, o autor dos castigos, ficou furioso e transformou a ninfa em cegonha. A amável ninfa, que adorava crianças, resolveu, em vez de chorar sobre o leite derramado, viver sua vida procurando bebês abandonados para entregá-los à mulheres que não podiam gerar filhos.

- Conta-se que essa lenda teria dado origem (mas disso não temos certeza) à lenda escandinava sobre cegonhas. Diziam que, por serem aves fieis e confiáveis, faziam suas parcerias e ninhos, aos quais sempre retornavam, para chocarem seus ovos e cuidarem de suas crias. E, assim, quando uma cegonha fazia seu ninho próximo à chaminé de uma casa, era sinal de que logo, logo, alguém na casa engravidaria. O que isso nos diz? Que as cegonhas eram bem vindas a fazerem seus ninhos nos telhados das casas. Que eram benfazejas, por sua generosidade e fidelidade ao ninho, e que eram vistas como um símbolo da vida que se podia desejar para aqueles que moravam ali. Filhos novos, alimentados e cuidados!

- Voltando no tempo... Na Roma Antiga, foi criada uma lei que recebeu o nome de  Lex Ciconaria (Lei da Cegonha). Essa lei incentivava os jovens e crianças a cuidarem dos idosos com amor e responsabilidade. O nome da lei se refere ao fato de que, na observação dos Romanos, a cegonha era tida como um animal que cuidava com muito afinco dos seus filhotes e de cegonhas mais velhas ou doentes, levando-lhes alimentos e calor, para que pudessem começar ou recomeçar suas jornadas. A cegonha passa então a ser símbolo daquele que traz o alimento, para que a vida se renove e possa recomeçar, ou continuar em bases melhores :)

Bom...depois dessa rápida investigação, passei a entender a esperança, a alegria, e expectativa que a visão dessa ave nos dá!
Mas... A vinda de um bebê, ou de qualquer grande oportunidade, muda o rumo das coisas, trazendo junto necessidades de adaptação e de uma boa dose de coragem, além é claro, de uma reformulação de valores e metas a atingir, além de exigir que encaremos nossa responsabilidade no desenvolvimento daquela criança, ou de um projeto, nascidos pela vinda da cegonha! Isso é claro, pode ser assustador...
De qualquer maneira, é inegável que aquilo que vem pelo bico da cegonha é, na maior parte das vezes, muito bem vindo, e isso porque essa simpática e generosa ave não costuma trazer coisas ruins em si mesmas, muito pelo contrário! Tradicionalmente (e nossa alma sabe disso), o que vem via Cegonha, seja o que for, é sempre a possibilidade de novos rumos e nova vida.
Tomara que a gente sempre esteja preparada para abraçar o presente que nos chega!



O significado da cegonha no jogo:

Algo chega e traz mudanças! Isso nós sabemos, como também sabemos que existem outros arcanos envolvidos no com a função de trazer para nossa vida coisas novas e mudanças, mais ou menos profundas. Na verdade todas as cartas do lenormand nos falam de movimento, de mudanças, já que são representativas das mais diversas realidades, com as quais nos encontramos nesse mundo, e pelas quais nos movimentamos instante a instante, passo a passo, na vida que dizemos ser visível, cotidiana, real...

- A cegonha chega e a oportunidade se faz imediatamente presente. Novo local de trabalho, novos estudos, viagens... Não haverá processos demorados para que a mudança ocorra.
- A chegada da cegonha, num jogo, é como receber um presente!
- Podemos observar, por exemplo, uma mudança de polaridade... O velho se faz novo, as negatividades serão neutralizadas, a "mesmice" dá lugar à novidades.
- A cegonha poderá indicar gravidez, se acompanhada da carta da criança por exemplo.
- Pode estar representando alguém do sexo feminino, talvez uma amiga ou confidente, ou alguém (mulher) capaz de promover alguma importante mudança ou trazer alguma novidade que modificará algum aspecto da nossa vida.
- Quando aparece após cartas não muito positivas, podemos ficar mais tranquilos porque a situação problemática tende a mudar.
- Cartas negativas, ou de términos, quando  próximas podem sugerir que estamos diante do caso de uma novidade que provocando medo ou desconforto, não será aproveitada como uma oportunidade, ou nem será percebida como tal. 
- Em casos muito particulares, ligados à saúde, quando acompanhada da foice, e outras cartas negativas, pode indicar aborto provocado, e quando acompanhada pela carta 08, pode indicar aborto espontâneo. Uma cuidadosa interpretação das circunstâncias, e demais cartas, será necessária. Se a possibilidade parece existir, devemos aconselhar a consulente a fazer uma visita ao seu médico, adiantando se necessário a consulta de pré-natal, dizendo que esse cuidado extra será vantajoso, para que tudo continue correndo bem.

Polaridade: Carta positiva, que traz bons augúrios ;)

... Que saibamos, sempre, reconhecer uma oportunidade, uma benção, um presente da vida!

Abraços carinhosos!

domingo, 5 de agosto de 2012

Conversando sobre métodos e jogos...


Vamos conversar um pouco à respeito dos  jogos que podem ser feitos utilizando-se o Lenormand?
A primeira coisa que vou dizer é que são inúmeros! Eu arriscaria dizer que, potencialmente, são tão numerosos quanto a imaginação humana. Por outro lado,  nem todos os métodos são tradicionalmente usados pelo povo cigano (o que não invalida o método), ou se tornam conhecidos pela "comunidade" dos amantes do Lenormand. De fato, não conhecemos, eu pelo menos não conheço, a origem da imensa maioria dos métodos de uso frequente. Acredito que esses métodos surjam da intuição de alguém que, uma vez comprovando sua eficácia, passa a ensiná-lo e divulgá-lo. Muitas vezes os métodos surgem de algo que poderíamos chamar de inspiração, venha ela de um guia espiritual ou das profundezas de nossa alma. Mas como esses jogos são divulgados? Hoje, é bastante compreensível como isso se dá, afinal estamos em tempo de internet! Nossos blogs, ou sites, podem tornar conhecidos e divulgar, quantos jogos tenham sido utilizados por nós. Mas... Como isso de dava anteriormente?


Posso imaginar ciganas experientes ensinando, às jovens ciganinhas, desde os jogos de interpretação mais simples, aos mais exigentes. Passando-os de geração em geração, à volta das fogueiras dos acampamentos ou no interior de suas tendas utilizando, desde tempos remotos, as cartas comuns de jogar, e as lâminas de tarot ou tarocchi (que são anteriores ao Petit Lenormand, também conhecido como baralho cigano).



Como aconteceu com grande parte do conhecimento humano, o método oral de difusão da cartomancia, por ciganos e não ciganos, foi usado por longo tempo (e ainda o é), antes da invenção dos tipos móveis de impressão de Gutenberg, e da produção em massa de livros.
O importante, nesse caso particular, é que, em algum momento, essa arte particular ganhou a atenção de uma elite intelectual interessada em assuntos ditos esotéricos, ou herméticos, ou seja, ligados ao conhecimento doutrinário, ou filosófico, até então tidos como ocultos, ou de conhecimento apenas de determinados grupos. A partir daí, estudos, por exemplo, sobre os arcanos do Tarot tradicional passaram a fazer parte de obras escritas, saindo da transmissão pessoa-a-pessoa, e ganhando uma divulgação cada vez mais abrangente. Este fato abriu portas para que os mais variados decks de cartas surgissem e fossem divulgados, inspirados no tarot tradicional ou no baralho de jogar comum, ou em ambos! Sem falar que tanto o nosso Lenormand, como o Tarot tradicional, foram sendo estudados, não apenas por si mesmos, mas à luz de outras artes, ou ciências, ou doutrinas, como astrologia, numerologia, Kabalah, mitologias e seus panteões, como o egípcio, grego, africano, "Arturiano", celta, nórdico, wiccano...


... Enfim, hoje temos uma enorme variedade de livros sobre esses estudos, e de novos decks que surgem frequentemente. Alguns mantém os 36 arcanos do nosso Lenormand (o petit Lenormand), e suas interpretações tradicionais, acrescentando-lhes símbolos de outras artes, ou simplesmente modificando suas representações gráficas de acordo com uma estética que valorize uma visão pessoal do autor.



De qualquer modo, o principal elemento visual de cada carta do baralho Lenormand será facilmente reconhecido. Os que mantém essas características trazem a denominação "Lenormand" acoplada a seu nome, e suas cartas podem ser estudadas como as do Lenormand tradicional.
Com a produção industrial de decks tão variados, tornou-se usual a publicação de livretos ensinando, de forma muito reduzida, alguma coisa sobre as cartas, e sugerindo algum método de jogo. Desnecessário dizer que os métodos sugeridos variam bastante.
Acredito também que métodos de leitura das cartas do baralho comum, ou do Tarot, tenham sido adaptadas para serem usadas com o Lenormand (de aparecimento mais recente), ao mesmo tempo que, por suas características próprias, o baralho cigano (petit lenormand) tenha suscitado a criação de métodos a serem usados especialmente com ele. Imagino que assim tenha surgido o chamado Grande Jogo, ou Mesa Real, ou ainda Grand Tableau, o mais tradicional método de leitura dessas cartas! É preciso que se diga que até mesmo o método, tradicionalíssimo, da Mesa Real não é jogado com  variações tanto quanto à disposição das cartas, quanto ao que se deve considerar na leitura.


Para a Mesa Real,  usamos todas as 36 cartas do Lenormand, dando origem, portanto, à um jogo complexo e que exige bastante tempo para sua interpretação, bem como um grande conhecimento dos arcanos e suas relações. Talvez, por isso mesmo, tenham surgido tantos, e diferentes, métodos de leitura! - Para que certos assuntos pudessem ser vistos com mais rapidez, é claro! Como resultado, hoje temos tiradas que usam números diferentes de cartas, que vão de 01 a 36!

Na Mesa Real, cada casa corresponde a um determinado aspecto, inspirado pelo arcano de número correspondente. Por ex: Casa 5 está relacionada à saúde e força (energética) vital, já que o Arcano 5, a Árvore, nos fala sobre isso! Então relacionamos a carta que ocupa uma casa ao tema dessa casa. Como no grande jogo, existem outros jogos que têm os significados de suas casas também marcados, embora usem um número menor de casas,  dispostas segundo um padrão que propicie uma leitura mais direta ou simplificada .
Outros jogos que usam um número bem menor de cartas, e não têm casas ou posições marcadas, devem  ser lidos como uma história que se desenrola, ou como uma frase. Esses são os jogos de leitura livre e exigem também muito domínio da interação entre as cartas, para que se possa uni-las de modo a adquirirem um sentido.
Algumas pessoas usam, com sucesso, os jogos que respondem apenas SIM ou NÃO, de acordo com a polaridade das 03 cartas que saírem (positivas, negativas ou neutras), sem levar em conta o significado das mesmas.
Alguns jogam usando uma carta tema, para potencializar a natureza do assunto a ser estudado, atraindo assim os arcanos que melhor expressam o aspecto/estado presente daquele tema... Outros preferem tirar um número X de cartas e lê-las livremente. Neste caso, se entre elas sair a carta tema, que representa o assunto sobre o qual se quer uma resposta,  ela será considerada como uma confirmação, uma dica de que se está diante de uma resposta particularmente clara e acurada. ;)

Enfim, como disse no início, são inúmeros os métodos usados. Qual, o melhor?

O melhor é, e será sempre, aquele com o qual nos sentimos mais à vontade, por já nos ter respondido, com eficiência, inúmeras vezes. Sim... Para sabermos qual é, em determinadas circunstancias, para nós, o melhor método, temos que praticar, repetir, e experimentar!
Por outro lado, é inegável: Não há método mais abrangente que a Mesa Real. Ela fala de pelo menos 36 aspectos da vida, e fala do passado, do presente, e de um futuro provável. Quando eu disse "pelo menos 36", eu estava me referindo ao fato da leitura não se limitar às 36 casas, mas ir muito além! Há histórias a serem lidas nas colunas verticais (que falam do tempo), nas cartas que circundam cada casa, nas chamadas 4 extremidades da mesa, além do que se pode ler horizontalmente, e as mensagens que aparecem ao retirarmos as cartas da mesa, duas a duas!
A mesa real pode parecer difícil, e de fato é rsrsrs...mas é também um grande desafio, uma grande viagem, uma delícia de enigma a ser decifrado, e a melhor representante da magia das cartas ciganas! ;)
Vamos continuar o estudo dos arcanos ao mesmo tempo que iremos começar a exercitar métodos de jogos. O que acham?

Deixo com vocês meu carinho!

Espero suas sugestões... Deixem seus recados ;)








sexta-feira, 20 de julho de 2012

Feliz dia dos amigos!



Queridos amigos,
tenham um dia maravilhoso.
O meu já está sendo graças às suas presenças!
Obrigada a cada um que passa, por aqui, deixando seu comentário e seu carinho! A sua visita é o que faz valer nosso trabalho, que na verdade é muito gostoso ;) ... Mas, sem vocês seria vazio, não é? É! Então... Que nossa troca de experiências continue enriquecendo minha vida, e que possa enriquecer, ao menos um pouco, a de vocês!
Beijos






quarta-feira, 18 de julho de 2012



Oi amigos!
Antes de continuarmos o estudo dos arcanos, vamos trocar algumas ideias sobre o jogo com o baralho cigano, mas não do ponto de vista dos inúmeros modos de colocar as cartas, pois são mesmo numerosas as formas de usar o Lenormand! Em vez disso, vamos falar, um pouco, daquilo que antecede o jogo propriamente dito.
Vou tentar organizar esse post, à maneira de perguntas e respostas, baseando-me em minhas próprias dúvidas quando iniciei o aprendizado e nas perguntas que me são feitas mais frequentemente.
Depois, como um bom exercício, falarei de um método simples, mas muito eficaz, de entrar em contato com as nossas queridas cartas.

Algumas perguntas:

1 - Devemos jogar para nós mesmos?
 Num mundo ideal, a resposta seria não, mas vamos falar francamente! Como estudar? Como ganhar intimidade com os arcanos? Como corrigir-nos? Como chegar à conclusão do melhor método, de jogo, para cada necessidade?
Geralmente somos desaconselhados a fazer isso, e aconselhados a procurar alguém que leia para nós. Isto seria o ideal, sim, mas não é possível sair em busca de quem leia para nós tantas vezes quantas necessárias para aprendermos a arte. Por outro lado seria justo e ético aprendermos, desde os primeiros passos, lendo para os outros? Acho que não. Então o que fazer?
Meu conselho seria o seguinte: comece com jogos pequenos que não envolvam assuntos de grande importância. Ao explorarmos certas áreas da nossa realidade, poderemos estar tão ansiosos que se torna impossível uma leitura eficiente. Nossos desejos, medos e outros sentimentos não nos tornam aptos à uma leitura aberta e livre. Por outro lado, se explorarmos assuntos que não nos deixem ansiosos, poderemos ter a abertura necessária para deixar o baralho falar e a nossa intuição agir. Assim, eu jamais perguntaria sobre algo cuja resposta poderia me desestabilizar. Preferiria pedir orientações ou explorar assuntos que não fossem muito "delicados".
A coisa fica um pouco mais difícil quando começamos a jogar para os outros, isso porque, habitualmente, "os Outros" são família ou amigos chegados (Dificilmente começamos jogando para desconhecidos)... Ao jogarmos para essas pessoas que nos são próximas, devemos ter o bom senso em admitir que nós, também, estaremos emocionalmente ligados aos assuntos mais delicados e graves que possam estar incomodando essa pessoa querida. Por outro lado, não poderemos evitar que esse amigo, ou parente, faça perguntas cujas as respostas possam ter grande impacto. Então se esse for o caso, e se você se sentir muito ansioso pela resposta que poderá ter, fale francamente e decida se vai jogar ou encaminhar a pessoa para algum colega. Se isso não for possível, use de todos os meios possíveis para acalmar-se, mantendo a mente o mais neutra possível em relação ao assunto, sem fazer juízos de valor ou focar num resultado desejado, ou temido! O medo, poderá ser tão forte, que as cartas poderão refletir esse medo. Afinal, lidamos com trocas de energia! A nossa, a do consulente, a intrinsecamente ligada ao assunto propriamente dito, a energia das cartas e dos guias e protetores. A nossa energia durante tirada de cartas deve ser de uma neutralidade receptiva e não ativa. O que equivale dizer que não devemos jogar na mesa, nossas opiniões, desejos ou medos. As energias ativas serão as do consulente que trará, para o jogo, sua postura diante do assunto, a força que o assunto tem em si mesmo, e como atuam as várias forças que estão agindo sobre a questão (ainda que o consulente não tenha a consciência delas)
Já no momento da leitura, devemos estar tranquilos para ler o que o baralho nos diz, usando nosso conhecimento e intuição.

2 - Quem deve tirar as cartas?
 As opiniões são bastante variáveis. Eu, particularmente, prefiro que o consulente retire as cartas do baralho, porque é aí que, entre outras coisas, vai se estabelecer a sincronicidade ou o princípio de que as cartas tiradas irão refletir o momento de quem as tira, já que há uma atração entre duas coisas semelhantes: Aquilo que o consulente é ou sabe, mesmo sem ter essa consciência, e o arcano que traduz esse conhecimento que vem do próprio consulente (via inconsciente, via guias, protetores, via inconsciente coletivo, dependendo do que se acredite).
Gosto de deixar que a força do consulente, obviamente presente em seus próprios assuntos, se manifeste.
De qualquer modo, faça o que seu coração mandar. Alguns preferem servir como veículo entre a energia que captam do consulente, e as cartas. Outros preferem deixar que a energia do outro flua livremente, para só interferir na hora de analisar, e intuir (inclusive através da inspiração que venha de seus próprios guias) a resposta das cartas à essa energia.

3- Cartas caíram durante o ato de embaralhar. O que fazer?
Isso pode acontecer de duas formas: A gente sente que fez algum movimento de forma desajeitada, e como resultado, cartas caíram... ou, enquanto estamos embaralhando as cartas com movimentos firmes, mentalizando a pergunta do consulente, alguma ou algumas cartas "pularam" do baralho. "Pular" descreve bem esse acontecimento. :)
No primeiro caso eu as recolho e torno a colocá-las no maço. No caso de cartas "que pulam" das nossas mãos, eu as considero como uma mensagem importante sobre o assunto. Após interpretá-las, eu as devolvo ao baralho.
No meu caso isso costuma acontecer com bastante frequência :)

4 - Por que o consulente deve cortar o baralho e quando?
Deve cortá-lo no início do jogo (para "cortar" qualquer resíduo energético de outras consultas) e depois, cada vez que houver uma mudança de foco ou assunto. É uma forma de dizer ao baralho e a nós mesmos (cartomante e consulente) que terminamos a exploração de um assunto e que exploraremos outro. A ato de cortar, diz de uma forma muito clara que a energia ligada à jogada anterior deve ser descontinuada para que a energia de um novo assunto seja dominante. 

5 - Por que cortar em três?
Bom, não é obrigatório que seja assim, mas o número 3 traz, em si, o conceito de manifestação, ou expressão, o que, aliás, é o propósito do jogo: Que as forças atuantes, as singularidades das questões, o devir das situações, se manifestem através dos arcanos!
O número um (01) que simboliza, em vários sistemas, o princípio criador (fálico, masculino), a centelha primeira, é recebido (englobado) pelo número dois (02/ feminino), uma espécie de útero, onde se desenvolve e se articula enquanto ideia. O que foi gestado, isto é, a ideia que foi desenvolvida precisa, agora, "nascer" e se manifestar! Essa manifestação, ou seja, o movimento gerado pela união 1+2, acontece no três. De fato, o três (03) indica o movimento que algo faz para se tornar expresso, conhecido. O lenormand serve exatamente para expressar algo e tornar conhecido aquilo que está além das aparências.

6 - Que tipos há de jogos?
- Temos os jogos abrangentes, que falam sobre vários aspectos da realidade vivida por alguém, como,
a chamada Grande Mesa, Mesa Real ou Grand Tableau. Esse jogo utiliza todos os 36 arcanos, e nos fala, com uma profundidade impressionante, sobre vários aspectos da vida do consulente. Por isso mesmo, é um jogo demorado, que exige um bom domínio do significado dos arcanos e suas interações.
Ainda nessa categoria temos outros jogos que utilizam um número menor de cartas, mas que oferecem também uma visão geral do momento vivido pelo consulente.
- Temos jogos direcionados, onde exploramos, profundamente, um determinado assunto. Todas as cartas se referem à uma mesma questão. Quase sempre usamos cartas temáticas para reforçar a natureza daquilo que queremos explorar. 
- Temos os jogos do tipo SIM ou NÃO
- Temos os jogos de mensagem, onde tiramos uma, duas ou três cartas, e deixamos que a sabedoria desse método se manifeste, espontaneamente, sobre algum assunto ou em forma de um conselho ou lembrete.

7 - Quando não devemos jogar?
Quando estamos (nós, ou o consulente) doentes, sobre stress mental, energeticamente desequilibrados, ou quando fizemos uso de bebida alcoólica. 
Quando o assunto nos causar angústia, medo ou qualquer sensação que impeça a nossa neutralidade.
Dependendo da fé que se tenha, não se deve jogar em datas que coincidam com eventos que exijam, dos fieis, jejum e recolhimento. Para os católicos (incluindo o Povo Cigano) não se deve jogar no período que vai da quarta-feira de cinzas à Sexta-feira da Paixão. 
O período do Carnaval também deve ser evitado, pois há um grande acúmulo de energias conflitantes, desordenadas, e potencialmente perigosas do ponto de vista espiritual.
Algumas pessoas não jogam depois das 22:00 horas. Eu, particularmente, não gosto de jogar no período de 23:00 às 03:00hrs.
A mulher grávida deve usar de bom senso e evitar dispender energia, ou se expor à energia alheia, principalmente no início e fim da gravidez.
A menstruação não é interdito para o jogo.
Deve-se evitar o jogo, no dia em que se visitou um cemitério, para enterro ou para qualquer outra atividade.
E o mais importante, eu não aconselho que você jogue quando, mesmo sem motivo aparente, seu coração pede que não o faça. Nesse caso, é quase certo que, em algum momento do dia você irá entender o motivo ;)

8 - O que fazer antes do jogo?
O ritual anterior ao jogo é variável, e uma vez tendo chegado à uma forma satisfatória, deve ser repetido, sempre que possível, mas com muito cuidado para que não se torne automático e sem energia! Uma boa forma de fazer isso é que (à parte de orações que você use habitualmente), você faça uma oração espontânea, para aquele dia em particular, incluindo o nome do consulente, ou o seu próprio se for o caso, além de algo que nasça da sua sensibilidade naquela hora.
Por que usar um ritual? A forma de preparar a mesa, as orações habituais, as saudações a anjos, santos, guias e protetores, ou a forma de se concentrar se você não usar o baralho espiritualmente, "avisam" a seu corpo, mente, e alma, que se preparem para desempenhar a arte, ao mesmo tempo que comunicam ao astral, que essa é uma hora sagrada e consagrada à leitura das cartas.

9 - Devo cobrar?
Sim. Não necessariamente em espécie, se você quiser fazer uma caridade para alguém, mas recomendo que algo (vela, fita, moeda dourada, flor etc) lhe seja dado. Isto será uma forma de receber algo pela energia que você irá despender, mantendo a energia circulando. Por outro lado é tradição do povo cigano cobrar por aquilo que oferece, e que é parte de seu ganha pão. Dinheiro é uma forma de energia circulante e é legítimo que recebamos pelo nosso trabalho, como qualquer outro profissional.

10 - Toda essa preparação também deve ser feita quando vamos estudar?
Não necessitamos, nesse caso, de ter todos os elementos já estudados ou de fazer o ritual de abertura. Para os estudos, podemos chegar à uma preparação mais simples, como acender uma vela, e colocar um copo de água, ou apenas acender um incenso, ou fazer simplesmente fazer uma oração pedindo proteção e luz durante o exercício. O mesmo pode se aplicar, em alguns casos, em jogos para terceiros. Tudo que colocamos na mesa são símbolos, e se você os tiver dentro de si, num caso de necessidade, serão prescindíveis, afinal, você não precisa deixar de ajudar alguém porque não está no seu ambiente normal de jogo e com tudo organizado! Mentalize o seu espaço sagrado, faça suas orações ou rituais pessoais, e quando se sentir ligado/a à arte, ao seu baralho, aos guias e às crenças que lhe são caras, Jogue!

Vejo que este post já está muito grande rsrsrs, então vamos deixar os exemplos de jogos para a próxima postagem  :)

Deixe suas dúvidas e opiniões! A contribuição de vocês é fundamental para o nosso Blog ;)


Que Santa Sara nos abençoe, que os Mestres Ciganos nos orientem, e que os ciganos, que caminham conosco, estejam presentes a cada passo dessa jornada!



 


sábado, 14 de julho de 2012

A mesa de jogo.




Inspirada pela carta da Estrela (que entre outras coisas nos pede um tanto de ousadia), e por e-mails que recebi, resolvi fugir um pouco da minha proposta inicial de terminar o estudo dos Arcanos, antes de falarmos de jogos, preparação do baralho, mesa de jogo, e tantas outras coisas que permeiam nossa vida de cartomante :)
O plano era que fizéssemos uma imersão no significado de cada carta antes de nos aventurarmos além... Percebi, no entanto que o mundo do chamado Baralho Cigano, é estimulante demais para que prendamos a planos preestabelecidos! Isso é bastante compreensível, uma vez que, o próprio estudo dos arcanos tem o poder de "abrir" nossa percepção e mexer, num nível bastante profundo, com nossa intuição (como era de se esperar), mas também com nossos sentimentos mais "puros", ou seja, aquele que vem, por meio do Arcano 13, a estimular nossos desejos sem que eles passem pelo crivo da nossa inteligência crítica, antes de se tornarem conhecidos. É verdade que muitas vezes reprimimos nossos sentimentos a ponto de nem perceber, num nível consciente, quais são eles. Esse fato, é uma das razões pelas quais, o Lenormand (e outros decks) pode nos ajudar no caminho do auto conhecimento. Perceber nossas pulsões, desejos, sentimentos equivale à uma importante parte do mapa que leva à apreensão/conhecimento/compreensão de nossa alma.
Na minha experiência pessoal, a alma dos apaixonados pelo Lenormand é, em primeiro lugar, exatamente isso: Apaixonada! E, como tal, afoita, curiosa, entusiasmada. Qualidades que acabam  por vencer as inseguranças naturais, e nos ajudam a ir adiante no caminho da cartomancia... Mesmo que após algumas indas e vindas, desistências e recomeços ;)
A gente quer ter, e estudar, vários decks, comprar coisas bonitas para nossa mesa de jogo, quer investigar novas tiradas de cartas, e saber sobre as experiências alheias e, sobretudo, a gente quer jogar! Não é assim? Tanto é que, aposto que quase todos os amigos do blog, já (no mínimo) leram sobre todas as cartas, já têm seus baralhos e jogam!
A carta da Estrela, me chamou a atenção para a necessidade de conhecer nossas vontades, e caminharmos em direção ao nosso sonho, com fé e alegria.
Com essas ideias, escolhi algumas dicas para ajudar a quem está começando ou que quer se renovar na arte!

Sugestões para a mesa de jogo:

- 1 - Use um lenço colorido, estampado ou não, para forrá-la. Cuidado para que a estampa não tire a atenção das cartas que precisam ser o foco principal. Certos padrões deixam o visual "confuso" por excesso de informação. O lenço que você for usar, vai representar a saia da cigana (caso você esteja ligado às tradições ciganas, por laços de sangue ou de alma. Lembre-se que muitas vezes as ciganas sentadas no chão, jogam sobre suas saias...
O lenço que você usar vai servir também para guardar suas cartas, se você quiser. Eu, particularmente, gosto de embrulhar meu baralho e as moedas que uso para o jogo, com o lenço e guardá-lo assim, em vez de na caixa em que ele veio de fábrica.

- 2 - É muito aconselhável que os quatro elementos estejam simbolizados na mesa de jogo. Incenso, vela, água, moedas ou cristais, representando Ar, Fogo, Água, Terra.
Escolha uma taça ou copo para usar apenas na sua mesa de jogo. A cor da vela pode variar de acordo com o dia da semana, com a cor preferida pela entidade que o guia, ou pode ser simplesmente branca.


 

obs: Existem tabelas, para o uso da cor, fundamentadas em diversos sistemas como: dia da semana, nos 4 elementos, Arcanjos, propósitos, Orixás, etc... Você pode utilizar qualquer uma delas, ou simplesmente usar uma vela branca, como já dissemos, mas sempre prestando atenção para o fato de que o jogo pede principalmente, concentração, proteção, capacidade de comunicação com planos superiores. Assim, na dúvida, a vela branca é altamente recomendável, deixando-se as coloridas para rituais e trabalhos que sejam necessários após o jogo, embora para estes também se possa usar vela branca.

Exemplos:
As pessoas ligadas à magia ritual, geralmente usam o esquema de cor por dia da semana:

Segunda: Branco (lua/ magia feminina/ intuição/ e por ser, o branco, a combinação de todas as cores, presta-se à qualquer intenção)
Terça: Vermelha (Marte/ força/ batalhas a serem vencidas/ vigor/ paixão/ início de qualquer ação)
Quarta: Verde (Mercúrio/ Cura/ comunicação/ estudos/ justiça)
Quinta: Azul não muito claro, azul safira (Júpiter/ crescimento/ expansão/ generosidade/ abundância/ sabedoria)
Sexta: Rosa (Vênus/ Amor/ beleza/ manifestação artística)
Sábado: Violeta (Saturno/ dia de focarmos naquilo que deve ser transmutado, já que saturno confere peso e de uma certa forma, cerceia os movimentos)
Domingo: Dourada ou amarela (sol/ sucesso/ vitória/ energia de crescimento)

As pessoas ligadas às religiões Afro-brasileiras, poderão seguir a cor do Orixá responsável pelo campo onde se quer agir, ou pelo Ori do consulente: por exemplo: Justiça/ Xangô / marrom;  Azul escuro (candomblé) ou vermelho (umbanda) Ogum/ batalhas/ proteção/ abertura de caminhos etc...
Quem trabalha com entidade Cigana poderá usar a cor preferida da Cigana ou Cigano



- 3 - Os cristais não apenas representam o elemento terra como, também, são usados para expandir o dom da visão e intuição (além de outros propósitos). Assim, é muito comum que se coloque uma drusa de cristal de quartzo, uma ponta de quartzo, ametistas. Não precisam ser cristais caros e grandes, mas aquele que "falar" com você, sempre será adequado. Você poderá, também, ter um prato/recipiente com pequenos e variados cristais. Ao contrário da vela e da água, seu uso não é obrigatório.


- 4 - O incenso pode ser substituído por um perfume que você ofereça, se for o caso, à cigana que lhe inspira no jogo. Pode-se usar ambos, perfume e incenso.



- 5 - Moedas que representam o elemento Terra, podem ir sendo colocadas, ao longo do tempo, num recipiente que será, então, colocado na mesa de jogo.
Algumas pessoas, como eu, também colocam uma, ou mais moedas, em cada canto da mesa e na frente do consulente. O número total de moedas assim dispostas deve ser 5, 7, 9, ou 11 ( o número impar é aconselhável, porque ele vem depois do equilíbrio estático de um número par e assim representa o MOVIMENTO). Isso não se aplica à quantidade de moedas que esteja no pote.
Tradicionalmente as moedas quanto mais antigas mais desejáveis (idem para as moedas de outros países), porque isso fala da propriedade, que tem o dinheiro, de passar por várias mãos, e da importância de não segurá-lo mas trocá-lo pelo que nos é importante.
Evitar moedas de alumínio.
01, 10, 25 centavos são ótimas.
Pode-se utilizar também a de 1 real, por ser volteada por metal dourado.
Não é o valor total das moedas que importa, mas sim seu valor simbólico! Pode-se usar apenas uma moeda de 01 centavos


- 6 - A taça/copo, deve conter água limpa e filtrada, ou mineral se possível. O recipiente, embora simbolize o sagrado feminino, a nossa parte encarregada de estabelecer contato em níveis mais profundos através da intuição (entre outros significados), na mesa de jogo sua função principal é ser o continente da água, esta sim, capaz de limpar e diluir as energias negativas, além de facilitar nossa comunicação com outros planos.



 Pode ser simples, pequeno, grande, e pode ser aquele que você usa em rituais mágicos. Se você não seguir nenhuma tradição, ainda assim pode usar uma faca/punhal como símbolo de proteção!
Você poderá encontrar um/uma que esteja dentro do seu orçamento.
Mas lembre-se que o punhal não é obrigatório para quem não segue a tradição cigana e nem é essencial para que você comece a treinar jogos!
- 7 - Na tradição cigana, como também vemos nas tradições mágicas em geral, Deve-se usar um punhal, voltado para o consulente ou voltado para fora (a ponta) a partir da nossa posição, quando jogamos para nós mesmos. Esse punhal é um instrumento mágico que tem como função "cortar" qualquer negatividade, impedindo que o oraculista seja prejudicado. Gosto de colocá-lo sobre a boca da taça (O que foi cortado será diluído e purificado pela água, formando assim um conjunto poderoso).
Se você seguir as tradições ciganas poderá ter dois punhais, um para a cigana e o outro para seu companheiro. Tradicionalmente os ciganos espirituais andam aos pares.
O punhal deve ser de duplo corte, mas não precisa ser afiado.Se você tiver um athame e for seguidor/a da wicca e não da tradição cigana, pode usá-lo.

- 8 - Lembrando ;):Você não precisará de ter todos esses elementos, e nem escolher taça, cristais, punhais, de grande valor. Você não deve fazer gastos que estejam fora da sua realidade. O valor reside nos símbolos e não no valor de mercado dos objetos. Na verdade, inicialmente você só precisará ter um baralho, copo d'água, e 1 vela!  Isso porque a vela já contém o elemento terra (cera, pavio) e fogo. O ar está implícito por ser essencial para a combustão. Com a presença da água, teremos a representação de todos os elementos! ;)
O lenço poderá ser apenas um pedaço de pano branco ou colorido, e não um lenço de seda ou algo assim.
A única coisa que não pode faltar, além do baralho, é amor e carinho na hora da escolha de uma simples vela e na preparação do jogo.

- 9 - Outros elementos que podem ser colocados na mesa: O baú da cigana, onde você guarda as joias, bijuterias, moedas, lenço e baralho, velas, por exemplo.
Flores, frutas, fitas coloridas, pandeiro, castanhola...

NOTA: Todos os elementos que forem ser usados, devem ser consagrados para o uso no jogo! Tome cada um deles, limpe-os com incenso e impregne o objeto com sua energia, mentalizando que eles são como uma espécie de prolongamento do seu braço! Ofereça, se for o caso a seu guia, à Cigana que caminha com você, a seu anjo de guarda, ou simplesmente torne importante, pessoal e sagrada, sua relação com seu instrumento
Os cristais devem ser limpos (usualmente por imersão em água e sal de 8 a 24 horas), antes de serem usados.
Você deve aprofundar seu conhecimento sobre essas coisas com leituras e pesquisas, aqui estão apenas algumas dicas e você pode "construir" a seu jeito, sua mesa de jogo!

Ao se sentar à mesa, concentre-se limpando de sua mente qualquer pensamento e, se for o caso, faça uma oração dirigida a seu guia, à santa Sara, aos Mestres Ciganos do astral, saudando sua amiga Cigana, e seu companheiro, ou a seu anjo de guarda. Ou a todos :)

No próximo post falaremos um pouco sobre o jogo propriamente dito e deixaremos fotos (se eu conseguir tirá-las rsrsrs!

Deixe suas perguntas e comentários, eles nos alegram muito!

Optchá!


terça-feira, 10 de julho de 2012

Carta 16 - A Estrela


                                                                        
"Se as coisas são inatingíveis... ora!                                       
  Não é motivo para não querê-las...

 Que tristes os caminhos, se não fora a mágica presença das estrelas!"

  - Mario Quintana; "Das Utopias"





"A coragem conduz às estrelas e o medo à morte"                                                                    Sêneca



                                 
"Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo."
                                                   José Saramago

  

Se prestarmos atenção, veremos que as citações acima, nos apontam as principais qualidades da carta 16/ a Estrela. De fato! A Estrela é um Arcano que nos inspira coisas belas, poéticas, mas que também vem nos falar sobre a necessidade de ações, e de coragem no exercício do nosso esforço humano. É um lindo arcano, que se apresenta como meta e guia, e também como o soar da trombeta que nos diz que a hora de buscar nossa meta é agora! Ele nos informa que, o momento propício, é o presente. Ele diz que, em nossa vida, fez-se  o momento mágico! O que queremos está em sintonia com os "arranjos" do universo, os anjos nos dizem amém e, portanto, é hora de irmos com tudo! A hora de brilhar é agora. A sorte nos sorri. O caminho para nossas realizações está iluminado, claro e protegido.
Nosso esforço humano será abençoado, e nosso brilho mais intenso.
A coragem no uso das nossas qualidades será amplamente beneficiada pelo destino (ou Carna), que agora nos é favorável!
A estrela brilha no céu e em nós! Estamos, agora, mais confiantes, nosso poder de atração está "no auge".
Hora de investir em nós mesmos e em nossos sonhos!

Quando aparece num jogo:
- Sorte
- Proteção
- O imanente e o transcendente se unem para a realização de nosso desejo.
- Um sonho volta a ser possível
- Nossa meta se torna clara
- O caminho para a realização do desejo está iluminado
- Poder de sedução
- Destino
- Carma
- Oportunidade que deve ser aproveitada.
- Momento de auto estima elevada.
- Momento de brilhar!

Dicas:
- Quando acompanhada de uma carta que represente um Orixá, é dica da qualidade que está mais disponível naquele momento (em nos mesmos), ou do Orixá que protege, pelo menos, essa parte do nosso caminho.
- Quando ocupar um lugar "problemático", no jogo (por ex. uma casa que corresponda à dificuldades e problemas), ou quando acompanhada de cartas negativas, pode nos alertar para o "brilho falso" de alguém ou de alguma situação, ou para nos avisar que estamos deixando passar uma oportunidade.
- Quando acompanhada do ramalhete, carta 09, do homem/cigano ou da mulher/cigana, pode estar sinalizando que o/a consulente está ligado/a aos guias espirituais ciganos, se o jogo permitir tal interpretação. 

Polaridade: Carta tradicionalmente positiva, que nos fala de bons augúrios.



Que nossos guias e protetores cubram, de boa sorte, nossa jornada!

Bar Lachi!

Esperamos sua mensagem, perguntas, e críticas!
Deixe um recado aqui, no Blog, ou no e-mail: taikaferreira@gmail.com



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Carta 15 - O Urso

  

No meu primeiro contato com o Lenormand aprendi que a Carta 15 (O urso) é a pior carta do baralho. Será??? 
Passei muitos anos observando o comportamento desse arcano, e hoje não o vejo assim. É certo que a carta 15 traz sua dose de peso, problemas e perigos, mas assim como outras cartas, ela nos fala de qualidades e características que devem "conversar" com as cartas próximas, e devem ser consideradas em relação à posição que o Urso assume no jogo.
Na verdade, aprendi que não há carta melhor ou pior, em termos absolutos. Há sim, cartas que nos acenam com possibilidades positivas ou negativas, num primeiro olhar, mas que podem estar se expressando de forma contrária à impressão que nos causam a princípio. Isso, por si só, já seria suficiente para que entendêssemos que no Lenormand, como na vida, o absoluto raramente se expressa. Vivemos num mundo relativo, ondea a relação entre dois elementos é mais importante do que a simples soma das características de cada um.
Como já dissemos muitas vezes, as cartas se combinam, conversam e se expressam de formas diferentes em diferentes circunstâncias.

Por exemplo:

Carta 5 + carta 7

Se a questão for saúde, podemos dizer que algum problema surgirá, e será aconselhável procurar um profissional de saúde.
Por outro lado, se a questão for de ordem espiritual, poderemos dizer que o desenvolvimento do potencial de alguém está ligado à sua iniciação em alguma tradição ou em sua ligação com algum conhecimento específico.
Já se a questão for, por exemplo, uma relação entre duas pessoas, poderemos ter uma indicação de que essa é uma relação de muita atração física, ou que a relação que está se desenvolvendo (árvore) sofrerá com algum tipo de traição ou maledicência... Tudo dependendo das cartas que se seguirem ;)
Como o ditado: Uma andorinha só não faz verão, também aprendemos bem cedo na vida, que tudo que se manifesta interage. Um fato, ou qualidade, que pode ser prejudicial aqui, pode ser benéfico ali, embora, é claro, alguns fatos ou qualidades sejam associados mais frequentemente com o ganho ou a perda, com o bom e o ruim...

Então eu me perguntava: por que seria diferente com o urso? Cheguei à conclusão de que não era.


Quais as características do Urso, de uma maneira geral, já que constituem uma família de várias espécies?

- São animais de grande peso.
- São mamíferos carnívoros e geralmente omnívoros, ou seja, têm seu aparelho digestivo modificado para aceitar diferentes tipos de alimento (insetos, frutas, mel, pequenos roedores, carniça, peixes, grandes animais), incluindo o ser humano, se houver necessidade de alimento, ou quando se sentem em situação de perigo.
- Força
- Capacidade de armazenar gordura (energia) para os longos períodos de hibernação.
- Pode matar pelo abraço.
- Fome proporcional à sua necessidade de armazenar gordura
- Apesar de seus hábitos solitários, convivem bem onde há alimento suficiente.
- A mãe ursa é capaz de qualquer coisa para defender seus filhotes.

Significado: pelas características do animal, temos muitas indicações de como essa carta funciona no jogo.

Na sua expressão negativa:
- Situações de perigo, que virá por alguém próximo, "amigo-urso".
- Pessoas que podem usar da proximidade ("abraço de urso") para destruir alguém.
- Pessoas com energia "pesada", olho grande, inveja, "encosto", obsessores
- Pessoas com comportamento de "juntar" e armazenar".
- Pessoas com tendência a engordar.
- Problemas de saúde que vêm por excessos alimentares, cansaço, isolamento 
- Pessoas superprotetoras. ciumentas e egoístas (quando a característica de proteger, dos ursos, é exagerada e causa mal).
- Pessoas com tendência ao isolamento
- Pessoas que podem "fugir" para uma "caverna" e se isolarem para evitar situações adversas (Os Ursos hibernam). Isso é relacionado, algumas vezes, ao alcoolismo ou uso de outras drogas (muito cuidado com essa interpretação)
 - Força que irá ser usada de forma primitiva, sem barreiras morais ou éticas, contra nós, ou que nós usaremos contra o outro.

Na sua expressão positiva, ou neutra:

- Força
- Pessoa poderosa e protetora. Pessoa de mais idade do que nós/consulente (mãe ursa protege filhotes).
- Pessoa com reservas financeiras.
- Situação em que seremos ajudados por alguém de poder.
- Retirada estratégica. Situação em que o melhor é que nos retiremos por algum tempo sem tomar qualquer atitude.
- Força que surge da necessidade, e nos torna capazes de vencer duras batalhas.
- Sexualidade

Polaridade: Carta Negativa, pela escola brasileira

Na nossa tradição brasileira, a Carta 15 - O urso, é vista, em princípio, como algo negativo, que pode tornar-se positivo na dependência das circunstâncias e cartas próximas. Já em outros países ele é visto principalmente como uma carta positiva que fala de proteção, ganhos financeiros, pessoa de poder, seja financeiro, ou pela posição que ocupa.

Agora temos que ter cuidado! Em qualquer lugar, uma boa leitura depende das relações entre as cartas e entre elas e as circunstâncias do jogo... Isso é fato! Mas também é fato que dependendo da tradição, do lugar onde aprendemos, certas cartas podem assumir uma conotação positiva em algum lugar e negativa em outro. Essa carga que se torna quase cultural é de muita importância. Há aqueles que ao verem o Urso, imediatamente o associam ao "amigo-urso", e outros que o associam, em primeiro lugar à força (dos instintos, força física, ou da força sinônimo de poder de realização daquele que manda ou que tem "bala na agulha" como dinheiro), e outros ainda, que em primeiro lugar vão associar o Urso à uma força protetora, ou à investimentos financeiros.


Brasão da comuna de Portein, uma comuna da Suíça, no Cantão Grisões,


Se por um lado, dentro de uma visão "ideal" não deveríamos misturar métodos e tradições, por outro, essa primeira reação que temos frente a determinadas cartas não deve ser ignorada, simplesmente porque isso não será possível :)
Tal como o urso, nossa reação instintiva às cartas estará presente quer a aceitemos, ou não, em nível racional. Assim como a carta 02 (o trevo), ou a cobra,  seria ideal, do meu ponto de vista, entender todas essas interpretações, associações e significados do Urso, mantendo a mente aberta para ver como a carta está se manifestando no seu jogo. Ela aparece mais frequentemente relacionada à cartas e situações positivas ou negativas? A partir daí estabeleça a polaridade inicial dessa carta no seu jogo (que sempre, é claro, poderá ser modificada de acordo com as circunstâncias), coisa muito importante uma vez que, em determinados jogos, temos apenas uma carta qualificando algo, como saúde, trabalho, dinheiro, influências externas, espiritualidade etc...

Por hoje é só. :)

Deixe seu comentário, sua pergunta ou sugestão!
É essa "troca" de energia, que alimenta o Blog ;)

e-mail: taikaferreira@gmail.com

Optchá!




segunda-feira, 25 de junho de 2012

Alimentando seu baralho!



Como assim???

Alimentar o baralho significa colocá-lo em contato com energias que propiciam e reforçam a ligação entre esse maravilhoso instrumento e você!

É claro que esse "alimento" é variável pois deve respeitar, em primeiro lugar, sua crença religiosa, imaginando que você tenha alguma... Mas volto a repetir: Para jogar o Lenormand, não é necessário que se tenha uma religião e, nem ao menos, que se creia em Deus. Há pessoas ateias que acreditam que podemos nos comunicar num nível mais profundo, menos consciente, através de símbolos e arquétipos, sem que isso implique na existência de qualquer poder transcendental. Elas veem o uso dos arcanos, dos baralhos divinatórios, como um instrumento para liberar aquilo que conhecemos, mas que ainda nos escapa num nível consciente. Por outro lado, nada impede que você creia em Deus, tendo ou não uma crença religiosa, mas dissocie o uso do baralho de sua fé e espiritualidade. Tudo é possível e não há certo ou errado... Há apenas sua ligação absolutamente singular com seu instrumento.

Vamos considerar aqui dois casos:
 1 - Você tem uma ligação com seu baralho onde há espaço para o transcendental, mas sua fé religiosa não está ligada à fé do povo cigano, ou a seus costumes.
2 - Você tem uma afinidade com a tradição religiosa e costumes ciganos, sem ser cigano de raiz.

Darei a seguir algumas ideias, de como "alimentar" seu baralho. Elas podem ser complementadas, ou modificadas, de acordo com sua sensibilidade.

- Qualquer que seja seu caso, você pode forrar uma superfície com um pano branco ou florido (ao gosto cigano) e sobre ela abrir seu baralho "em leque" ou em forma de círculo.
- Coloque em cada um dos quatro cantos um elemento da natureza: Se tiver uma bússola use para determinar os pontos cardeais em relação à superfície da mesa, se não, apenas coloque os elementos no sentido horário, respeitando a seguinte ordem:

- 1° - Leste - Incenso - elemento ar
- 2° - Sul     - Vela       - elemento fogo
- 3° - Oeste - Taça ou copo com água - elemento água
- 4° - Norte - Prato com cristais, moedas (ao gosto cigano), ou com terra ou sal - elemento terra.

- Acenda o incenso
- Se souber faça a unção da vela, antes de acendê-la. Para isso, use algum óleo essencial, passando-o por ela, com movimentos sempre de baixo para cima, enquanto declara para quem essa vela é dedicada e qual o propósito do ritual. No caso, concentre-se em pedir que seu baralho lhe ajude a ver além das aparências, que ele seja um instrumento de autoconhecimento e de ajuda ao próximo.
Acenda  a vela, após dedicá-la à entidade a qual, normalmente, pede ajuda e inspiração, antes do jogo. Pode ser Santa Sara, Nossa Senhora Aparecida, Jesus, seu anjo de guarda, um Mestre espiritual etc..
- Se gostar da tradição cigana, poderá abrir um vidro de perfume e perfumar suas mãos, antes de manusear as cartas, invocando a Cigana que lhe acompanha, e seu companheiro.
- Passe cada carta pela fumaça do incenso, imaginando-as limpas de qualquer energia desarmônica, e recoloque-as sobre a mesa, em círculo ou leque.
- Tome um gole de água pedindo que sua mente intuitiva se abra e você possa entender as mensagens que o Lenormand lhe enviar.
- Pegue algumas moedas ou cristais e coloque-os sobre a carta 28 ou 29, dependendo se você é homem ou mulher, estabelecendo uma relação pessoal com a carta que o/a representa.

Se você quiser, poderá colocar flores e frutas doces em um prato, e colocá-lo no centro do círculo ou semicírculo formado pelas cartas do baralho.



Medite sobre o caminho que escolheu, peça proteção e sinta-se envolvido/a pela luz protetora da entidade que o/a auxilia em seu caminho espiritual.
Levante-se e imponha suas mãos sobre o baralho e abençoe-o, de todo seu coração, com seu amor e respeito, enquanto visualiza uma luz branca que sai de suas mãos e se derrama sobre o
baralho (a mesma luz que você recebeu de seu guia, anjo, ou protetor). 

Lembre-se que esse Ritual tem por objetivo estreitar os laços entre você e seu instrumento. Tenha isso em mente e manuseie seu baralho o quanto e como quiser. Segure-o junto ao seu coração ou simplesmente entre suas mãos. Faça isso quantas vezes quiser e volte a colocá-lo sobre a mesa (Sempre com os arcanos voltados para cima e, portanto, visíveis) 

Você poderá deixar de um dia para o outro, a mesa pronta, ou por três dias, acendendo uma vela e uma varinha de incenso a cada dia.
Após o tempo que escolheu, recolha as frutas e coloque-as num jardim, sob uma árvore.
Esvazie o copo, ou taça, em água corrente.
Guarde os cristais e moedas para utilizá-los na mesa do jogo.
Guarde com todo amor, seu baralho recém energizado.

Espero que muitos aproveitem esse dia dedicado ao Lenormand, para fazer esse ritual.

Deixo, com vocês, meu carinho.
bjs

Deixem suas perguntas e sugestões! Se preferirem, mandem suas dúvidas e contribuições para taikaferreira@gmail.com.

 

(Criado por Chris Wolf)

domingo, 24 de junho de 2012

Amanhã: Dia do nosso amado Lenormand!


 Criação dos banners por Chris Wolf [eyeofperegrine.blogspot.com], licenciados para divulgação do "Dia do Baralho Lenormand".

Amigos,
Se estamos aqui é porque de alguma forma fomos "fisgados" por esse incrível veículo de comunicação, o baralho Lenormand! 
Eu sei que fui!, e agradeço sempre à vida, em todas as suas dimensões, ter um dia sido apresentada às Cartas Lenormand. Quando eu digo que agradeço à vida, quero me referir a tudo que vive, e se conecta, prá lá do tempo e espaço: da Centelha Criadora, aos meus irmãos que dividem comigo esse momento, nessa Terra... E tudo que pulsa e vive entre nós e em nós... E, é claro, à criadora dessas cartas, que se tornaram minhas amigas verdadeiras, confiáveis e amorosas, Mlle. Lenormand!




Em um post anterior comparei as cartas do Lenormand à uma penca de chaves, já que cada arcano nos abre uma porta para uma realidade que vai muito além de daquilo que percebemos como nossa realidade imediata.


Para mim, o Lenormand será sempre uma penca de 36 chaves para realidades vivas e, portanto, cheias de movimento, que é dado pela ordem das cartas/chaves, que escolhemos... Sem saber que estamos escolhendo. 
Ao olhar o verso do baralho, todas são iguais... mas a ordem com que escolhemos cada uma (com a sabedoria que nos transcende, mas também passa por nós), vai mostrar uma cena que se desenrola diante de nossos olhos.
Ao escolhermos uma chave, abrimos uma porta para um espaço onde existem outras 35 portas... Ao escolhermos outra chave, seremos abençoados com uma situação viva, pulsante, que se desenrola por trás da porta que essa segunda chave abre, e que é diferente  daquilo que reside por trás de cada uma das outras 34 portas. Queremos saber mais? Escolhemos outra chave, abrimos a porta e olhamos... No fim teremos uma história que se apresenta diante de nós. Sempre diferente, sempre incrivelmente verdadeira, sempre única. E percebemos então que mesmo que a sequência de cartas se repita (o que ocorre muitas vezes) a paisagem que teremos será tão diferente quanto são as pessoas, suas dúvidas e circunstâncias.  Essa é a magia do lenormand, e de outros meios divinatórios. Não temos apenas um número, matematicamente calculado, de possibilidades de combinação entre as 36 cartas. Temos muito mais, já que essas combinações irão se referir a um número incalculavelmente grande de diferentes circunstâncias (assunto, número de cartas viradas, posição no jogo, cartas próximas) sem falar do que existe de mais importante: A individualidade das pessoas envolvidas, a troca de energia durante o jogo, a intuição de quem faz a leitura.
Tudo isso pode explicar a minha paixão pelo Lenormand... Mas não totalmente, já que outros decks funcionam de forma semelhante, como o Tarot nas suas várias versões, e o baralho comum de jogar, também muito usado para fins divinatórios.
Minha paixão pelo Lenormand, veio por motivos que não têm relação com o raciona,l e nem com a arte da cartomancia.
Como ocorre frequentemente com nossas querências, amamos mas sabemos que, se fizermos uma lista dos "porquês" de amarmos, sempre irá faltar algo... Amar não é da dimensão do razoável mas sim do acontecimento. Estar amando algo, é um fato, e como fato, impõe-se acima de explicações razoáveis. Um fato não depende de explicações para existir. Um fato é, e ponto. ;)

Mas sendo humanos queremos razões...não é? Nem que seja para depois dispensá-las! rsss
Então, aqui vão algumas, das minhas:

- As ilustrações dos Arcanos falam à minha sensibilidade de uma forma surpreendente.
- Uma das riquezas das cartas Lenormand, ao menos para mim, reside no fato de elas são capazes de fazer referência a um número absurdo de experiências humanas.
- Elas, combinadas, falam da justa medida, do excesso, ou da falta daquilo que representam.
- Falam tanto de pessoas, quanto de situações, de forma prática e objetiva ao mesmo tempo que se prestam a dar conselhos e avisos.
- Elas tem um comportamento no "tempo-espaço", tanto relativo quanto em termos absolutos. Por exemplo a carta 1 (o mensageiro) movimenta-se, dirige-se, começa algo. Seguido da carta 2 (trevo) tem seu movimento desacelerado o que produz um atraso em seus propósitos, já que encontrou um arcano que em termos absolutos não tem movimento (movimento = 0). Já se o cavaleiro encontra-se a foice, ou quem sabe os pássaros, poderia ter seu movimento interrompido ou acelerado... a coisa seria diferente ;)

E por aí vamos... Mas, na verdade, a única característica que é só dele, e não de outros decks, é sua capacidade de falar comigo :)
Coisas do coração e da alma. Coisas do amor ;)



Amanhã será comemorado o dia do Baralho Lenormand. Dia 25 de Junho foi escolhido por ser a data da morte de Mll. lenormand, sua criadora.
Convido a todos que visitem a página, para trocarmos ideias e experiências!

http://www.facebook.com/pages/Dia-do-Baralho-Lenormand-Journ%C3%A9e-Lenormand-25-de-Junho/320555224658746?sk=wall&filter=12e




Já que estamos na lua crescente, que tal "dar de comer" ao seu baralho???

"Dar de comer" é cercar seu baralho que energias que alimentam seu poder de comunicação e que simbolizam seu carinho por esse instrumento.

Falaremos disso no próximo post :)